Grande
parte dos cientistas políticos vai dizer que o calcanhar de Aquiles da
corrupção no Brasil vem do gasto em campanha eleitoral. Sobre este assunto, se
trouxermos à esfera dos Municípios, veremos situações inusitadas, tristes ou
desalentadoras, porque o cálculo de gasto eleitoral está diretamente ligado ao
quanto se arrecada com o salário do candidato eleito no país. Se deixemos de
lado por um momento a sempre discutida corrupção do poder executivo e as suas
diversificadas fontes de financiamento para falar tratar da questão
parlamentar, podemos perceber um microcosmo que distorce qualquer noção
científica de Política.
Antes,
façamos uma estimativa razoável: o Brasil tem 5.565 cidades, das quais mais de 5
mil desses municípios têm menos de 50 mil habitantes. Para estas cidades, o número máximo de vereadores admitidos é 13. Se
considerarmos o universo das consideradas cidades pequenas, temos mais de 90%
dos municípios do Brasil. Em geral, o salário de vereador varia (no Estado de São
Paulo), entre 2 e 5 mil reais. Tomemos então uma média: para o salário de um
vereador que ganha 3 mil reais; são R$ 36.000,00 anuais. Segundo se tem demonstrado
pela experiência concreta, uma campanha bem sucedida tem muitas chances de ser
feita com R$ 30 mil ou mais; entre outras coisas porque entra no cálculo a compra
de apoio político com cabos eleitorais e ajudas de custo a eleitores para
angariar votos (a famosa compra de votos encoberta das mais criativas maneiras).
Em geral, com mil votos se elege um vereador em uma dessas cidades médias, de
50 mil habitantes. Cada voto bem buscado custaria em torno de R$ 30,00. Não é
um cálculo descabido, pelo contrário, é valido se considerarmos que alguns
votos virão gratuitamente e outros mais influentes custarão bem mais caro.
Obviamente não entram nesta conta as cidades de grande porte, onde se
concentram um maior numero de eleitores e um jogo político midiático caro e
complexo, mas para cidades consideradas pequenas, esses números podem ser
considerados razoáveis.

Max
Weber, no início do século passado, distinguiu os políticos entre aqueles que
vivem "da politica" e aqueles que vivem "para a politica" (em
sua famosa conferencia "A politica como vocação"). Ali há a mais
comentada defesa do pagamento de salários para políticos: para que esta não se
torne uma atividade aristocrática em que só os abastados que não necessitam
retirar seu sustento do próprio trabalho fossem os únicos a usufruir da
política. É justo que cidadãos possam viver "da" política, mas é recomendado que políticos vivam "para" a
política e para o bem estar das cidades. Ainda que viver “para a política” não
exclua “viver dá política”, se Weber tivesse conhecido o sistema político
brasileiro reconheceria que nenhuma das duas definições e capaz de explicar
nosso modo de operar. O Brasil é um dos mais competentes exemplos em
transformar a politica em um processo de acumulação capitalista. Mais que viver
"da politica" ou "para a politica" a freqüência de casos
nos mostra que políticos transformem a atividade pública em meio de acumulação
econômica – uma total subversão do entendimento da atividade de gestão em negócio
com lucro estimado e alta taxa de retorno.
Trabalhar com política é uma atividade que merece remuneração. Não devemos cair em armadilhas ao considerar que a politica deva ser uma atividade gratuita e descomprometida. Mas também é preciso reconhecer que no Brasil esta atividade está deslocada para a esfera dos lucros (e neste caso passa a ser ocupada majoritariamente por figuras interessadas na acumulação e não no bem estar das cidades).

Trabalhar com política é uma atividade que merece remuneração. Não devemos cair em armadilhas ao considerar que a politica deva ser uma atividade gratuita e descomprometida. Mas também é preciso reconhecer que no Brasil esta atividade está deslocada para a esfera dos lucros (e neste caso passa a ser ocupada majoritariamente por figuras interessadas na acumulação e não no bem estar das cidades).

Os
casos de distorção e corrupção são inúmeros por aqui. Mas, este é facilmente
corrigível: para o caso das Câmaras de Vereadores eleitas para expediente fora
do horário de trabalho não faz sentido que os vereadores recebam os salários
que recebem. A grande maioria dos legislativos no Brasil sessões semanais ou
quinzenais, depois do horário comercial, perfeitamente conciliável com qualquer
outra atividade laboral. Não faz sentido o pagamento de salários; posto que os
políticos tenham em geral outras atividades paralelas. Todas as Câmaras
Municipais que não exigem expediente completo dos seus vereadores deveriam dar
aos pagamentos mínimos e até mesmo simbólicos pela participação dos eleitos.
Cortar os gastos com vereadores e vice-prefeitos pode acabar com a corrupção no Brasil? Certamente não, mas pode diminuir consideravelmente em algumas esferas da política. Nem é preciso que consideremos esta questão pelo ângulo da economia aos cofres públicos (se bem que tem também o lado positivo da economia), porque é mais importante que seja uma medida que comece a desestimular os gastos de campanha e a compra de voto como atividade política eleitoral cotidiana ilegítima (mas reconhecida como prática eficiente entre os políticos). Com uma lei determinando que somente os políticos que cumpram jornada de trabalho semanal tenham salário (isso também implica em impedir os rendimentos dos cargos de vice) nós possamos estimular que figuras interessadas em viver "da” ou “para a política" tomem o lugar daqueles que querem fazer da política no Brasil atividade lucrativa.
Cortar os gastos com vereadores e vice-prefeitos pode acabar com a corrupção no Brasil? Certamente não, mas pode diminuir consideravelmente em algumas esferas da política. Nem é preciso que consideremos esta questão pelo ângulo da economia aos cofres públicos (se bem que tem também o lado positivo da economia), porque é mais importante que seja uma medida que comece a desestimular os gastos de campanha e a compra de voto como atividade política eleitoral cotidiana ilegítima (mas reconhecida como prática eficiente entre os políticos). Com uma lei determinando que somente os políticos que cumpram jornada de trabalho semanal tenham salário (isso também implica em impedir os rendimentos dos cargos de vice) nós possamos estimular que figuras interessadas em viver "da” ou “para a política" tomem o lugar daqueles que querem fazer da política no Brasil atividade lucrativa.
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